Malta do
meu coração, por onde é que vocês andam escondidos?!
Crescemos juntos a achar que o mundo
era nosso, criados na era de ouro da liberdade, dos joelhos esfolados, de muito
amor e com algum juízo na cabeça!
Lembrais-vos de quando corríamos
aquelas ruas como se fossemos os donos do bairro? E aquela fase genial em que nos apaixonávamos todos pela mesma miúda?
E agora vejam bem onde isto deu: está
cada um espalhado pelo seu canto, provavelmente a olhar para o céu com cara de
totó, a rir sozinho ao lembrar-se das nossas quedas monumentais de bicicleta e
daquelas noites míticas a acampar na areia das obras (que nós jurávamos que era
uma praia privada de cinco estrelas). Que dupla, que trio, que bando! Passámos
a vida a colecionar quilómetros, viagens malucas e a berrar, desafinados que
nem uns perdidos, as canções do Oceano Pacífico, que passavam na rádio!
Depois a vida subiu de nível.
Passámos das motorizadas barulhentas para os carros podres que quase não passavam
na inspeção. A vida adulta e as carreiras decidiram afastar-nos, mas a verdade
é que basta a crise apertar ou o mundo
parecer que vai desabar para nos fazermos ao caminho e corrermos uns para os
outros! É verdade que às vezes a rotina, o trabalho e os imprevistos da
vida metem um "nevoeiro" no meio e fazem parecer que estamos longe.
Mas tentarem apagar o que vivemos? Nem pensem, isso é impossível!
O tempo passou, claro. Continuam a
existir manhãs de verão épicas, segredos guardados a sete chaves, lareiras
acesas (e até churrascos falhados no quintal!). Já não somos os mesmos miúdos
de dezassete anos. Agora as canções que cantamos são outras (provavelmente com
dores nas costas a acompanhar), as ideias mudaram e aprendemos a amar de uma
forma muito mais madura (e com menos drama!).
Mas fiquem a saber uma coisa: quando vos ponho a vista em cima, o meu peito
explode de alegria! É aquele abraço de urso, daqueles que até estalam os
ossos, e mil sorrisos partilhados por tudo o que correu bem e, acima de tudo, por
todas as asneiras que correram maravilhosamente mal!
Podemos ter menos tempo, mais rugas
e uma agenda complicada para gerir a incerteza do amanhã, mas metam uma coisa
na cabeça: a nossa amizade é imortal e
o resto são cantigas! Um brinde a nós!

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